Falta de manutenção afeta as linhas de transporte ferroviário urbano na Grande São Paulo e prejudicam 2,5 milhões de usuários

José Manoel Ferreira Gonçalves, da Ferro Frente

Se as chuvas persistirem nos próximos meses, São Paulo deve se preparar para enfrentar sérios problemas em suas linhas de trem dedicadas ao transporte de passageiros.

Essa é a avaliação do presidente da Ferro Frente, José Manoel Ferreira Gonçalves, sobre as crônicas paralisações das linhas da CPTM na região metropolitana. A situação se agrava ainda mais pela falta de manutenção preventiva no sistema – os contratos para esses serviços estão vencidos, e o governo do estado não abriu nova licitação, limitando-se a realizar reparos pontuais nas linhas.

José Manoel explica que, no que se refere às inundações, a linha 10 Turquesa, que liga o Brás à região do Grande ABC, é a mais afetada. “Mas há problemas estruturais mais sérios, que afetam toda a rede, e que já deveriam ter sido superados. Não há interligação de energia elétrica entre as linhas, o que permitiria que uma estação compensasse a queda da força em estações próximas.

Outra deficiência é a sinalização diferente entre as linhas, o que faz com que os trens de uma determinada linha só possam circular num trecho determinado”, avalia o presidente da Ferro Frente.

Ele lembra que boa parte da malha ferroviária do transporte de passageiros em São Paulo usa estruturas antigas. “A manutenção é cara e complicada”, completa.

O ideal, segundo José Manoel, seria a parada temporária de alguns trechos, para trabalho de prevenção, mas isso se torna impossível diante da demanda diária de usuários, que gira em torno de 2,5 milhões de pessoas. “Outra medida imediata é a retomada dos contratos de manutenção preventiva, para os quais o governo precisa voltar a licitar”, acrescenta o presidente da Ferro Frente, entidade que reúne representantes da sociedade civil engajados em um projeto nacional de ferrovias para o país.

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